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Em
1838, por ocasião do falecimento de José
de Aguiar Toledo, a fazenda Resgate e suas demais propriedades
são deixadas como herança para seus oito
filhos. Em pouco tempo, Manoel de Aguiar Vallim, um dos
oito irmãos, compra todas as partes da fazenda
Resgate e estabelece moradia na propriedade. Em 1844,
Manoel de Aguiar Vallim casa-se com Domiciana de Almeida,
filha do comendador Luciano José de Almeida, dono
da fazenda Boa Vista e titular de uma das maiores fortunas
do Brasil na época.
Em alguns anos Manoel de Aguiar aumenta substancialmente
sua fortuna e, em 1855, resolve fazer uma reforma na casa
de vivenda do Resgate. Assim, Mr. Brusce principia as
obras no sobrado adaptando-o ao estilo neoclássico,
tão em voga em Paris.
Agora,
a casa construída em meados do século XVIII,
baseada no estilo senhorial português (com apenas
um pavimento) e adaptada à solução
mineira de produção de café da primeira
metade do século XIX (já com dois pavimentos,
porém sem nenhum requinte), ganha uma facha neoclássica
com uma escada central em cantaria. Os materiais de construção
empregados na reforma também diferem daqueles utilizados
em sua construção: o primeiro pavimento
é feito em pedra e pau-a-pique e o segundo com
tijolos de adobe. Contudo, apesar da fachada em estilo
neoclássico, os fundos da casa estão pousados
ao “rés do chão”, em uma planta
em formato de “U” com três mansardas:
duas laterais e uma voltada para o pátio interno,
característico do partido mineiro. A reforma também
abarca o pátio interno, que recebe nova feição.
A sala de jantar é colocada junto a ele para fins
de arejamento e iluminação, como se fazia
nas residências burguesas na França, idealizando
uma nova disposição do espaço. Esta
é uma mudança fundamental nos parâmetros
de moradia do Brasil oitocentista. Desta forma, o Resgate
transforma-se em um monumento/documento completamente
preservado da história do Brasil.
A partir
de 1858, o pintor espanhol José Maria Villaronga
começa a pintar o segundo pavimento do casarão
do Resgate. No hall de entrada encontram-se retratados
os produtos agrícolas da fazenda: em posição
principal o café, circundando-o, a cana, o milho,
o feijão e a mandioca. Na sala de visitas, em estilo
barroco, pássaros brasileiros e detalhes em madeira
coberta com folhas de ouro. Na sala de jantar, três
afrescos: em posição central, a riqueza
do proprietário, ladeando esta pintura, mais dois
afrescos que representam a colônia chinesa de Bananal.
A capela também se destaca por suas pinturas e
detalhes em madeira com folhas de ouro. No mezanino, afrescos
com várias representações de Nossa
Senhora. No primeiro pavimento, além do altar em
estilo barroco e das diversas pinturas, um grande afresco
retratando o batismo de Jesus é peça central
deste espaço.
Em meados
de 1850, no auge da produção cafeeira da
província de São Paulo, o Resgate já
contava com mais de 400 escravos. Destes, 49 eram destinados
ao serviço direto do senhor, sendo: cinco caseiros,
13 cozinheiras, cinco pajens, sete costureiros, um alfaiate,
duas amas, oito mucamas, um copeiro, um sapateiro, um
barbeiro, duas lavadeiras, uma rendeira, um seleiro e
um hortelão. Agora, o primeiro pavimento da casa
de vivenda abrigava a senzala das mucamas e, a frente
da casa, erguia-se um enorme complexo de senzalas para
os demais cativos.
Em 1878,
falece o comendador Manoel de Aguiar Vallim, uma das maiores
fortunas do Brasil Imperial e maior produtor de café
da província de São Paulo. Em seu inventário
constam as fazendas do Resgate, Três Barras, Independência,
Bocaina, além de diversos outros sítios
e situações. Tinha quase 400 escravos, além
de um palacete de “dezesseis janelas”, casas
e o teatro Santa Cecília com seus acessórios,
na cidade de Bananal. Vallim era titular de uma fortuna
correspondente a 1% de todo papel moeda circulante no
Brasil, composta por inúmeros títulos da
dívida pública (inclusive dos Estados Unidos)
bens em ouro, prata e brilhantes.
Contudo,
o legado mais importante deixado pelo comendador Manoel
de Aguiar Vallim é a sede da Fazenda Resgate, tombada
pelo Patrimônio Histórico Nacional e considerada
uma das cem mais belas e importantes edificações
da história do Brasil.
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