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Alguns
anos mais tarde, quando a fazenda foi vendida, o novo
proprietário percebeu que problema do telhado precisava
de uma solução de curto prazo, porque os
afrescos pintados por José Maria Villaronga na
segunda metade do século XIX, estavam ameaçados.
Assim, o trabalho começou pela substituição
de grandes peças de madeira que estavam bastante
desgastadas devido à ação do tempo.
A seguir, utilizando uma técnica recém desenvolvida
na época (meados da década de 1980), foi
construída uma defesa permanente que se estende
por todo o telhado, logo abaixo das telhas. Finalmente,
todas as telhas começaram a ser colocadas no lugar.
Contudo, era necessário substituir várias
telhas que estavam quebradas. Felizmente, muitas telhas
intactas foram encontradas enterradas no jardim e, desta
forma, o telhado pôde ser completamente refeito
nos moldes do século XIX.
No entanto, as
paredes e as pinturas do Resgate tinham sofrido as conseqüências
da umidade e precisavam de restauração.
Surgiu então o grande problema: onde encontrar
alguém capaz de realizar o trabalho?
Na busca
por orientação especializada o proprietário
literalmente bateu em várias portas, porém
sempre em vão. Finalmente, alertado acerca do extraordinário
trabalho de restauração que estava sendo
realizado no Paço Imperial do Rio de Janeiro, o
proprietário buscou ajuda com os profissionais
envolvidos. Através destes contatos surgiu uma
jovem restauradora chinesa que se dispôs a enfrentar
o desafio. Assim, Chang Chi Chia veio morar na Fazenda
do Resgate, onde passou vários anos de sua vida.
A restauração
começou pela sala de jantar e seus três afrescos;
a seguir, foi para o Hall de entrada da casa. Depois de
alguns anos de trabalho, chegou a hora de restaurar o
Salão Azul. Por causa das várias pinturas
(quase cem), dos detalhes em relevo em todas as portas,
janelas, paredes e do lindo teto ricamente ornamentado,
o Salão Azul consumiu vários anos de trabalho
árduo.
Porém, durante todo esse processo, um detalhe que
talvez poucos saibam merece destaque. A restauração
não podia ser feita durante o dia, pois a luz do
sol, mudando de tonalidade ao longo do dia, impedia a
realização de um trabalho perfeito. Portanto,
a restauração foi feita durante a noite,
utilizando-se uma luz fria e neutra que oferecia melhores
resultados.
E ainda
havia outro desafio: o emolduramento das portas e janelas,
originalmente de arabescos feitos em madeira recoberta
por folhas de ouro, tinha sido destruído durante
os últimos 150 anos por causa da ação
devastadora dos cupins. Esta talvez tenha sido a parte
mais delicada e exaustiva de toda a restauração.
Terminado o trabalho no Salão Azul, um novo desafio
ainda estava por vir. Agora era a vez do trabalho na Capela.
Nesta, as pinturas (incluindo o grande afresco que retrata
o batismo de Jesus Cristo) estavam em péssimo estado
de conservação por causa da umidade constante
presente nesta parte da casa. Assim como o Salão
Azul, a Capela do Resgate também é ricamente
trabalhada e apresenta diversos relevos em madeira recoberta
com folhas de ouro (igualmente destruídas pelos
cupins). Desta forma, foram consumidos mais alguns anos
de trabalho árduo, que exigiram paciência
sem igual da restauradora Chang Chi Chia.
Mesmo assim, Chang ainda teve que retornar à fazenda
várias vezes, durante anos, a fim de restaurar
o restaurado. Estes velhos casarões, que não
utilizavam tijolos em sua construção, têm
uma imensa habilidade para absorver umidade.
Mas a
verdade é que, felizmente, a umidade e os cupins
foram derrotados e a Fazenda do Resgate se apresenta hoje
exatamente como era há mais de 150 anos, exibindo
com imponência e esplendor toda riqueza da economia
cafeeira do século XIX.
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